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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Como "Sair do Armário"?

Boa tarde!


Todos nós temos alguma coisa que não gostaríamos que o público em geral soubesse abertamente. Seja porque poderia criar perguntas complicadas de responder, por não se sentir confortável que outros penetrem tão fundo na sua intimidade, ou seja lá qual for o motivo, a verdade é que, uma hora ou outra, sofremos todos o risco de sermos descobertos. Neste momento, surge a dúvida: devo contar? Seria abrir o jogo uma alternativa melhor do que deixar a (ou as) pessoa (s) descobrir (em) por conta própria? E se sim, como fazê-lo?



Devo ressaltar que estes são as -minhas- opiniões sobre o assunto. Caso você não se sinta confortável com as coisas que eu sugiro, não siga! Tome seu próprio tempo, pondere, e decida sobre o melhor caminho a seguir na sua situação. Cada caso é um caso, sempre.

1) A abordagem direta:
Algumas pessoas são mais seguras de si mesmas, ou possuem uma coragem maior para abordar o assunto de frente. Chegar para um familiar, relacionamento afetivo, ou amigo e admitir abertamente "eu tenho um fetiche" nunca é uma tarefa fácil, e inclui sim seus riscos - que falaremos no final do post. Quando os fetiches são mais conhecidos, como Sadomaso, Podolatria e afins, geralmente as reações são mistas, mas tendendo ao positivo - a maioria das pessoas pode começar a te tratar de uma maneira um pouco diferente e farão algumas piadas de vez em quando, mas dificilmente algo como podolatria vai acabar com um relacionamento. Fetiche por casacos de pele é um pouco mais complicado pois ele está intimamente associado - pelo menos na internet, entre os "produtores de material", digamos - ao sadomaso e a transsexuais. Isso pode gerar uma série de associações e perguntas que algumas pessoas podem achar desconfortáveis. Além disso, temos o lado emocional - muitas pessoas não apreciam vestimentas que usam pele por considerá-las moralmente e eticamente descabidas, digamos. Se você tem uma namorada que é participante de ONGs de defesa de direitos dos animais, provavelmente não é uma boa idéia contar a ela sobre seu fetiche. Quando uma idéia vai tão de encontro ao que a outra pessoa acha fundamental, as reações são geralmente violentas e imprevisíveis. Dificilmente um relacionamento desses continuaria depois de tal revelação, restando portanto 2 opções mais lógicas: terminar o namoro antes de contar, ou abandonar o fetiche e buscar outra coisa que o excite.



2) Abordagem discreta:
Dependendo do caso, convém abordar o caso de maneira discreta, apresentando o assunto aos poucos, com cuidado, a analisando a reação das pessoas. Ao se obter uma reação negativa ou caso perguntas desconfortáveis começarem a surgir, pode-se optar por continuar apresentando o assunto explicando melhor ou interromper. Essa geralmente é a melhor opção para se abrir dentro de um relacionamento ou com amigos. O ideal é sempre tentar se abrir sobre o fetiche de uma maneira mais leve, e trazendo à tona a impressão que não é algo do outro mundo, evitando ao máximo fazer alarde. Além disso, se possível, tente fazer com que o primeiro contato da pessoa com o fetiche não seja associado à algo negativo, e sim algo positivo. Desta maneira, quando a pessoa lembrar do fetiche, não o associará de imediato a algo negativo no futuro. Esteja também sempre pronto a responder as diversas perguntas que podem aparecer de maneira aberta. Para isso, estude um pouco sobre o assunto do fetiche. É sempre bom e você provavelmente descobrirá coisas interessantes que provavelmente não pensaria pr conta própria, ou demoraria muito tempo para descobrir sozinho. :)



3) Abordagem surpresa:
Algumas pessoas preferem apresentar o fetiche de maneira "surpresa", já no meio da relação. A recepção para certos fetiches, dependendo da maneira como são apresentados, pode ser bem melhor durante o sexo, pois a pessoa já está sexualmente receptiva e pode acabar topando - e gostando - por já estar no meio da coisa. Além disso, a primeira impressão, caso dê tudo certo, vai ser muito boa. Porém, se a recepção for ruim, pode por tudo a perder, pois a resposta negativa pode ser amplificada. É uma manobra arriscada.


4) Abordagem Acidental:
Não é muito frequente, mas é uma possibilidade. Consiste em criar uma situação onde a pessoa descubra por conta própria, de maneira "acidental". É muito melhor do que a pessoa descobrir de maneira acidental sem você estar preparado, pois a adrenalina e a vergonha do momento podem levar você a tomar atitudes inadequadas. Pode funcionar bem com pessoas reconhecidamente mais compreensivas, caso você não tenha coragem de abordá-las de frente.



Lembre-se que a informação é sempre melhor do que deixar a pessoa pesquisar coisas por conta própria. Na internet, hoje em dia, existem diversos sites sobre os mais variados assuntos, e nem sempre os mesmos são abordados de uma maneira amigável para os leigos. Muitas pessoas mais tímidas/religiosas/conservadoras, que poderiam ser familiarizadas com uma abordagem mais delicada, podem se afastar completamente ao pesquisarem por conta própria em sites como Xtube ou Xvideos, pela alta quantidade de fetiches associados aos casacos de pele, especialmente com natureza mais gráfica e/ou chocante, como vídeos de Dominatrix.

O lado positivo de se abrir com relação ao fetiche, na minha opinião, é primeiramente a paz de espírito. Manter um segredo de sua família e entes queridos pode ser extremamente desgastante. O risco constante de ser descoberto e de obter uma reação negativa pode gerar crises de ansiedade, irritabilidade, e semelhantes. Manter o segredo como segredo pode ser pior do que expor o segredo, acredite. Em segundo lugar, é muito bom poder enfim realizar aquelas fantasias sexuais que tanto se imagina.








Porém, tudo possui uma margem de risco, como foi dito mais acima. Especialmente quando se é mais novo, ser descoberto pela família, especialmente por uma mais conservadora, pode causar uma série de problemas, desde proibições de contato com o objeto do fetiche, a visitas a psicólogos e psiquiatras, até, em casos mais graves, visitas à igrejas/templos para falar com o sacerdote/pastor local, para "tirar o demônio da luxúria do corpo". Ser descoberto por amigos/as pode implicar em bullying, brincadeiras de mal gosto em horas inapropriadas, e situações semelhantes. E ser descoberto pelo/a companheiro/a pode gerar algumas situações constrangedoras também, e dependendo do caso, pode colocar a relação em risco. Algumas pessoas não tem o preparo mental necessário para aceitar coisas mais "fora da rotina" e esse choque pode, sim, colocar a relação em cheque. Pode parecer algo sem sentido e fútil terminar uma relação por causa de algo que nós consideramos tão banal, mas temos que entender que a outra pessoa pode não receber essa informação como algo "banal".



Qualquer dúvida, estou aberto à perguntas. :)

Obrigado!

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